Wednesday, September 30, 2009




































Notas Medievais.
No derradeiro solfejo da Harpa...
Aura lírica.
Quando a melodia impõe lirismo na Casa (que inspira outro Mundo).
Dos sonhos fáceis e Castelos de pedra...
Mãos que se rendem ao aço que canta.
Parece que tudo começa e acaba ali.
Como um transe.
De tom cirúrgico. Notas precisas...
Homens na angústia das semi-fusas e pausas.
Perseguindo consonâncias.
No acordo da linda melodia.
Sobre o verniz da madeira velha...
Deuses de si mesmo. Alheios a quem cobiça.

Documental com a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo.
Set_2009








Agonia do trânsito.
Capital paulistana.
Lugar feito para carros.
Onde gente apressa, a tentar a vida.

São Paulo_ SP, 21.09.2009

Olhar Escondido. Sob esquecimento, desdém.
Calado no Manto Plástico, entristece.

Promissão_SP, 23.09.2009

Wednesday, August 26, 2009






















Terra que bambeia...
Berço.
Lôdo.

Gente do carangueijo. Futebol de improviso.
Anti-mundo.
Lama.
Caminhos flutuantes...
Sorriso envergonhado.
Tábuas.

Maré-contra.
Água-morta.

Sonhos de madeira.
Nos pés que desatolam.


Série _Manguezal_
Baixada Santista_SP

Tuesday, August 18, 2009














Cartilha de Greve: Polícia x Polícia

Dezesseis de agosto de 2008. Trinta mil policiais civis entram em greve em São Paulo, afetando 187 municípios do Estado.
No dia 17 de outubro de 2008, num capítulo inusitado da Ordem Pública, policias civil e militar entram em conflito e protagonizam o caos. A multidão de policiais civis indignados segue para invadir o Palácio dos Bandeirantes, sede do Governo José Serra. São contidos à bala pela Tropa Militar. Vinte e cinco pessoas estão feridas.
O fato repercute no mundo. Mídias internacionais apontam caos na Ordem Pública no Brasil.
Não obstante ao teatro de sangue, balas e Guardiões da Ordem desfilando armamentos pesados degladiando em área urbana, a ordem do Governador do Estado é endurecer a batalha. A greve continua...
O presidente da Associação dos Investigadores de Policia Civil, Vanderlei Bailoni afirma que o movimento de greve é pacífico. Diz também que o conflito é uma articulação do Governador José Serra.
Entre muitas passeatas que a corporação promove, são vistos grevistas armados.
No dia 28 de outubro, novo Movimento na Praça da Sé, marco zero da cidade de São Paulo, área de grande contingente urbano na quinta maior metrópole do mundo. Três mil policiais militares reivindicam seus direitos.
Folha de S. Paulo publica capa mostrando o excesso dos manifestantes. Investigador de polícia agride motoboy que tenta avançar ao bloqueio imposto pelo pelotão de policiais civis em fúria, que pára o centro da cidade de São Paulo.
O Presidente do STF, Gilmar Mendes, questiona a legitimidade da greve por corporações armadas.
O Ministro Eros Grau (STF) conclui que o direito a greve não se aplica a Policia Civil.
Durante 59 dias 30 mil policiais civis do Estado de São Paulo estiveram em greve exigindo melhora nos seus direitos de classe. Exigiram, além de reestruturação na corporação, 15% de aumento imediato (2008), 12% no ano de 2009 e 12% em 2010.
No dia 12 de novembro, em decisão do STF, a greve tem seu desfecho.
A SSP (Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo) identifica o policial civil fotografado pela Folha e o afasta das suas funções.
A Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo aprova projetos de restruturação e concede reajuste salarial de 6,5%.
São Paulo SP_ 2008

Sunday, June 14, 2009












O Silêncio dos Miseráveis_
Bolívia_ Jun, 2009

Monday, April 20, 2009























Eis que o mundo deixa de ser lírico. Vai também um pouco do sorriso embora.
Ensaio: A Arte Esquecida.
Festival Estadual de Circo.

Março de 2009.

Tuesday, February 10, 2009




































I

A derrocada do Lemom Brothres, segundo maior banco americano mostra o tamanho da ferida: deixa a saude econômica do mundo em frangalhos.
Os Mocinhos de Wall Strett se vêem diante de um filme trash jamais imaginado. O todo poderoso Capitalismo de mercado, ruiu.
Em todo o mundo, bancos centrais gelaram... era questão de tempo, e a onda lamberia os castelos de areia dos emergentes, entre eles, nós, Brasil.
Bolsas pelo mundo despencaram... Homems simples (muitos!), perderam emprego. O horror econômico é frio. Não contemporiza.














II

A Economia americana, matriz do crescimento global, agoniza. Obama reacende a esperança do mundo com UU$ 1,5 trilão. Contra a Onda Feroz, uma Arca de dinheiro para acalmar o nervosismo dessa complicada Teia do Capital que baliza a temperatura econômica do mundo. A economia mundial deve crescer míseros 0,5% este ano. Uma ninharia. Pior índice desde 1945. O mundo Novo é cada vez menos nosso... e cada vez mais do Mercado

Wednesday, January 28, 2009




































I

A essência pode estar escondida nas lateralidades. Não na brisa incômoda da yakissoba fajuta das esquinas. Nem sobre balcões solarizados por balões vermelhos que enfeitam lojas apertadas de uma mini Saigon pacificada.
Nenhum rastro do (quase) comunismo das terras de Taro Aso ou Hu Jintao. Só o frenesi do comercio desavergonhado nos milhares de suvenir de budas que disputam espaço nas galerias multi coloridas.
Liberdade.



























II

A partir da Ponte via Kassato Maru, o Oriente chega ao bairro da Liberdade. Vindos de uma Ásia conturbada, aportam num bucólico Brasil desconhecido. Vida nova, nos ares da pré- metrópole que fervilha de elegância, a quase rural São Paulo das primeiras décadas do século passado.
Hoje São Paulo hospeda 80% dos orientais que vivem no Brasil. São 800 mil. Têm 3 jornais em mandarim, muitos templos maoístas e budistas e perto de 100 restaurantes oferecendo sua culinária, cada vez mais influente.
Há décadas deixaram de pilotar pastelarias e hoje ocupam postos importantes na economia da cidade. Estão em Universidades, indústrias e nas artes em geral. Habitués desse espaço cercado de simbologias e signos do outro lado do mundo, fazem deste naco da Capital uma quase Xangai.

Ensaio no Bairro da Liberdade, São Paulo_ SP
24.01.2009

Saturday, December 06, 2008


I


Silêncio dolorido.
Estou com J* em sua casa. Ele retorna à Area Vermelha, lugar proibido e completamente isolado pelo Exército Brasileiro no Alto Morro do Baú, umas das regiões mais afetadas e de difícil acesso no drama da destruição de água e lama que engoliu diversos municípios catarinenses.
É uma operação arriscada (e fora da lei). Numa cruzada pela mata, andamos quase 70 km a pé, vencemos mais de 10 Serras íngremes.
Estou a 900 metros acima do nível do mar. O esforço físico está no limite.
Sobre nossas cabeças, helicópteros da Força Nacional que fazem novas investidas a procura de desaparecidos. Nos escondemos deles para seguir caminho desapercebido.
As pernas sangram. Respiro com dificuldade.
Afundamos em ilhas de barro. Tudo na região é um pântano silencioso de lama. Nenhum habitante sobrevivente pode permanecer no local que ainda é de extremo risco.
Avançamos na mata. É preciso ter pressa. Se as nuvens carregadas desabarem, ficamos ilhados no local, tendo que pernoitar. O perigo de deslizamentos é constante. Estamos agora abaixo de uma imensa cratera. Um gigantesco vermelhão barrento que divide a imensa Serra do Alto Baú numa pequena fatia verde e uma imensa fenda de barro.
Venço o limite do corpo e a operação de chegada já é quase insana.
O local é como uma cidade fantasma, com animais mortos pelo caminho, e alguns sobreviventes que agonizam de fome. Aqui sobre nossos pés e toneladas de barro e lama estão soterrados as ultimas 15 vitimas fatais da maior tragédia catarinense.
Percorremos casas esmagadas pelo Dilúvio de lama. Vejo carros de ponta cabeça totalmente engolidos pelo Dilúvio Vermelho.
Passamos pelo Gasoduto Bolívia-Brasil [administrado pela subsidiária brasileira da Petrobrás]. Ali, J* me relata uma grande explosão. A noite do 23 de novembro virou dia, conta.
J* salvou vidas, e viu seu Paraíso Alto do Baú, cravado num vale entre lindas montanhas de outrora, ruir em horas...

Friday, December 05, 2008










II

Pelos abrigos e albergues comunitários [Estado recebeu ajuda Internacional de entidades militantes de crises mundiais], o que se vê é desolação e falta de perspectiva. Em ilhota, município agrícola e uma das regiões mais afetadas, um sobrevivente me relata que está “sem alma”. A prefeitura local prevê seis meses para que sobreviventes possam voltar ao lar.
O Dilúvio Catarinense não se restringe a morros [40% da população local reside em encostas] nem classes sociais. Algumas áreas urbanas de municípios como Blumenau e Itajaí foram completamente destruídas. Ao contrário do que o senso comum possa julgar, a crítica região do Alto Morro do Baú, área de difícil acesso até para as brigadas militares, é lugar de gente de alto poder aquisitivo, incluindo ali algumas serrarias e plantadores de eucaliptos. Era como uma Suíça Brasileira de 400 pessoas, campos verdes e a sensação que tudo dava certo. Hoje piso numa vasta barragem de lama sobre todo esse sonho perdido.















III


O Rio Itajaí-Açu, que transbordou, abrange quinze mil quilômetros quadrados, e percorre 52 cidades. Ilhota, agora famosa na cena televisiva brasileira, é quase que em sua totalidade, agrícola. Planta-se arroz, sobretudo. O local hoje é feito de escolas e espaços que abrigam vitimas. O ano letivo foi encerrado. A Rede Publica abaixou a media de 7 para 5.







IV

Índices de chuva assumiram condição de Dilúvio. O rio Itajaí-Açu rompeu barragens. Em horas, agigantou 12 metros acima de seu nível normal.
Ilhota, Blumenau, Itajaí, tudo parece um imenso Pós-Dilúvio.
Por toda a parte vê-se gente em silencio defendendo a vida com os próprios artifícios da fuga ou proteção do lar inundado ou soterrado. Ou dias após, na insólita missão de reconstruir a vida, reconstituindo a emoção (ou o que restou dela).


Documental SC
Blumenau-Itajaí-Navegantes-Ilhota- novembro/dezembro_2008

Wednesday, November 26, 2008

I
Sozinho, o Smithsonian Institution, de Washington (EUA) posssui uma coleção de exemplares da fauna e flora do Brasil maior do que todas as Intituições Científicas brasileiras juntas. Lembremos Mario de Andrade: “O Brasileiro vive o Brasil e não o descobre”. Nada mais óbvio, lindo e revolucionário.

Amazônia_ 24.07.2008













II
Equilíbrio entre o ambiental, o social e o econômico parece uma equação impossível do establishment, no consenso brasileiro. A pressão tecnicista aliada a explosão demográfica e falta de consciência ambiental já levou embora 93% da mata atlântica brasileira. Destruiu 75% do semi-árido e está devorando o último naco dos 30% restantes do nosso cerrado. Triste assim...como um couro de onça seco no calor amazônico... ou fogo que cala e aniquila, quando a planta chora uma gota d’água.
Documental Amazônia_ jan 2000/out 2007.

Saturday, November 22, 2008

Mestre Joazinho Claudino, 06 de idade.
Negro suburbano. Periférico. Reluzente. Brasileiro. Absoluto.
Festa de Confraternização da música negra paulistana. Baile Chique da Virada Cultural.
São Paulo_ 27.04.2008


Olorum Zambi Rei. Pai da ancestralidade cujo símbolo se espalha entre preto-velhos e caboclos, Exus e Malandros presentes nos terreiros espalhados pelos confins do Brasil.
Ynaê dos Santos, 06. Brasileira.
Celebração para a Consciência Negra.

São Paulo SP_20.11.2008

Delicada Amazônia. Nossa Floresta de Ninguém.
Parque Indígena do Xingu_25.07.2008

Tuesday, September 09, 2008



A Cosmopolita Urbe SP esconde em suas esquinas a descontração dos (quase) invisíveis. Um quase avesso que mora por detrás das linhas certas.
Na passarela mal acabada e incolor da vida improvisada, La Dolce Vita dos guris engraxates que brincam no dominó.
São Paulo SP [Zona Leste]_ 09.09.2008

Monday, August 18, 2008


A sutileza de gestos dos homens anônimos disfarça o domínio cinza do dia triste-calado. Recria claridade.
Código Postal 012007-000-SP, centro. Lugar comum onde ninguém se vê. Mas tudo lá acontece...
São Paulo_ 08.08.2008
I
Javaé, Manawe, Tina e Mitshui.
Os Reis Soberanos da Selva banham no Rio Kuluene, nos rincões da Floresta Amazônica.

II
Curumins de pele vermelha preparam vestes para a Festa que chega na boca da noite. O ritual do Kuarup no Alto Xingu celebra ancestralidades. Convida ao transe. É uma festa fúnebre, mas afirmativa, exuberante, alegre.
A gênese do DNA nacional passa por essas terras. Aqui se esconde a mais pura raiz do Brasil.
Parque Indígena do Xingu, Amazônia_ 25.07.2008

Estou com R* atrás das grades.
Ele tem riso nervoso, fúria. Me conta como matou um homem.
Diz que o sujeito de terno jogou com a sorte querendo brincar de super-herói e resistir à valentia do menino-homem R*.
Os meninos de camisas brancas e bermudas bege, xingam felizes R*: “vai virar playboy agora...”.
R* sente de novo o provocante cheiro das ruas. Em questão de dias, desfilará sua alma afiada por entre jovens de classe média alta. Aqueles mesmos meninos de franja que ele um dia odiou.
R* está orgulhoso. Virou o jogo. Quebrou as pernas do destino: passou no vestibular e breve, jura que muda de vida.
A Redenção está por dias.

Casa de Detenção de Menores de Itaquera SP, 9 de julho de 2008.

Thursday, May 22, 2008

I
(Não-)lugar.
Improviso
Cores vivas quase morrendo.
(In)diferença
Sonhos de madeira.

Robustez católica.
Semi céu nos afrescos da Igreja da Matriz.
Ilha Bela SP_ 29.11.2007
Kuarup.
Festa fúnebre dos povos indígenas da Amazônia brasileira.
Parque Indígena do Xingu_ 22.10.2006

Luzes da cidade.
Sonho e pesadelo. Sentidos refletidos nos teus cantos e dores noturnas.
Fantasmas na profusão espelhada. Tua vitrine de beleza gigante e dor latente.
São Paulo SP_ 19.05.2008



Chuva na Fria São Paulo.
Cor Cinza Molhado.
São Paulo SP_ 03.04.2008

Friday, April 04, 2008


A soma de todas as dores.Favela Vila Prudente.
São Paulo SP_ 01.04.2008
I
Frenético, o Gigante Porto não pára. Embarcar nas entranhas do Porto dos Piratas, dos Guinles, dos estivadores enfeitados com saco de farinha na cabeça é descobrir a síntese do Brasil: anacrônico e atrasado mas com ar besta de pujante. O Porto do homem só é o mesmo Gigante dos recordes diários de exportação. Com guinchos de tonelanas operando sobre suas cabeças, ou preenchendo mini funções de máxima valia, é o homem anônimo que carrega nos braços fortes o valor máximo dessa vasta engrenagem portuária de centro invisível. A imensa orbe complexa de aço, em cujas veias escoa o PIB do Brasil, também esconde micro mundos de um homem só.
II
Já se vai longe a Era das carteiras pretas chacoalhando nas assembléias do cais pra disputar trabalho. Hoje o Grande Porto tem escala eletrônica de trabalho. Com a privatização que já avança há quase uma década e retalha o costado em terminais privados, sumiram classes, apareceram outras. Tudo é Gigante nesse vaivém de super navios e minúsculas catraias. Um mundo quase em sintonia.
Santos SP_ 04.04.2008


Sunday, March 16, 2008

I
Numero imensurável de prostitutas moram na penumbra paulistana. São onipresentes na Festa da noite ou até sob a clareza dos dias. Podem estar escoradas sob paredes velhas em antigos redutos da marginália ou freqüentando festas de luxo portando vestes das moçoilas de alta classe.
Investigando a Arte da prostituição, percorro o submundo dos corredores proibidos de São Paulo, caminhos incertos que irão revelar intimidades de profissionais veteranas ou iniciantes...

II
Serviços discretos.
Quase à sombra da Imensa Catedral da Sé, K. vive de programas. Cobra 80 reais, 15 minutos. Tem 2 filhos, é separada e belisca suados 4 a 5 mil reais por mês. O salário oscila baseado no humor e carência dos homens de terno, isca predileta de K. A intimidade de K. custa caro.

III
Lado B.
M. tem 51 anos. Faz programa por 10 reais.
È veterana na Arte e conhece os atalhos e manhas que vão determinar um bom dia de trabalho. Há 25 anos sabe onde, como e porque se prostituir. Conhece de perto as agruras do submundo e a necessidade da sobrevivência. Seu passe já foi mais valorizado do que os míseros 10 reais. Hoje, só sobrevive no mercado do sexo a este preço, admite.

Corredores pintam o asfalto do elevado Costa e Silva na Meia Maratona de São Paulo. São Paulo SP_ 09.03.2008

De NY à SP, o rock da Banda Interpool.
Blasé, o baixista Carlos Dengler.
São Paulo SP_ 12.03.2008

Monday, March 03, 2008


Akira Fukuma é ex-kamikase. Inserido no núcleo de pilotos, deixou de voar pela ordem vinda ao radio do Imperador que a II Guerra chegara ao fim. Era 1945. Sua Hiroshima estava arruinada. O japonesinho de sorriso fácil vive há tempos no Brasil mas não domina sequer meia dúzia de palavras. Seu mundo é tão particular quanto sua história.
Santos SP_ 28.02.2008

I
O Ovo...
A produção pujante é fruto do trabalho dos primeiros imigrantes japoneses que chegaram na interiorana Bastos nas primeiras décadas do século passado. Hoje é conhecida mundialmente como Capital do Ovo. Gira ali um montante de 7 milhões de ovos por dia.
II
...ou a galinha.
Trabalho penoso. Doze milhões de aves chacoalham cristas vermelhas no confinamento surreal das espremidas gaiolas típicas das hiper granjas espalhadas pela pacata cidade.
Bastos SP_ 20.02.2008

Saturday, February 09, 2008


Jr. e Princesa na derradeira noite chorosa em que o sonho acabou.
São Paulo SP_ 18.12.2007

Monday, November 12, 2007


O Governo de São Paulo coloca a leilão carros apreendidos de traficantes de drogas. No local vê-se fuscas criando raiz, alguns poucos importados e a solitária variant de algum meliante que (provavelmente) habita outro plano. Era a fase pré-pujança do hoje organizado mercado do narcotráfico no Brasil.
Guarulhos SP_ 23.10.2007

Sombra e luz delineam formas no subsolo paulista.
São Paulo SP_27.10.2007

Tocaiado no emaranhado de bugigangas baratas do mercado paralelo do maçico de favelas do Complexo de Alemão, o soldado da Força Nacional observa o vaivém do tráfico no morro da Grota.
Rio de Janeiro RJ_ 14.06.2007

Lula Presidente da Silva.
São Paulo SP_ 14.10.2007

No bairro do mercado, em Santos (SP), catraias percorrem os fossos das galerias subterrâneas que desembocam no cais do porto. Reze para a maré estar baixa.
Santos SP_ 26.07.2006

Sunday, November 11, 2007


A Força Nacional vigia a Medelín de Outrora, o Rio de Hoje. A ocupação da Elite espreita as vielas escuras da favela da grota, no Complexo do Alemão.
Rio de Janeiro RJ_ 15.06.2007

Saturday, October 06, 2007


I
Sob uma cidade freneticamente acelerada, reina o silêncio absoluto das galerias subterrâneas. Num imenso fosso profundo, o labor que molda e revoluciona o subsolo da Gigante Metrópole.

II
A muitos metros da superfície, a arquitetura monstruosamente pesada espalha toneladas de massa e concreto que vão perfurar as galerias profundas no chão de São Paulo para espichar as linhas de metrô.
São Paulo SP_ 02.10.2007

Tuesday, September 18, 2007

O Fogo devasta o cerrado brasileiro.
Labaredas gigantes engolem matas. Aniquilam fauna e flora.
Com a maior estiagem dos últimos anos e a baixa umidade do ar, as queimadas são recorrentes na região centro-oeste do país. Representam 70% da emissão de poluentes e desenham um futuro preocupante no desafio brasileiro da redução dos níveis de efeito estufa e aquecimento global.
Edilândia GO_17.09.07


A Casa Forte descansa na brisa quente no madrugar da noite planaltina.
Pouco (ou quase nenhum) protesto perturba a urbe brasiliense nos tristes tempos das tramas do Parlamento brasileiro.
Na contemporânea Era onde o Grande Mercado das Contas tem dom de normalizar a cena suja (e banalizar escândalos sólidos que se desmancham no ar), o Castelo Executivo de Lula repousa em paz.
Brasília DF_ 15.09.07

Monday, September 17, 2007


I

Querô: o Menino-bomba
Domingo. Pipas enfeitam um céu desbotado de inverno. Ouve-se funk. Sobram algazarras nos botecos imundos e nas assembléias malditas de mendigos. Da laje, observamos por cima dos telhados apodrecidos a geografia indigesta do lugar. Estamos por entre os cortiços do bairro do Mercado, periferia do cais do porto de Santos SP, onde pode estar escondida a pérola bruta do cinema nacional.


II

Maxweell Nascimento, 18, é filho pródigo do lugar.
É um ilustre desconhecido transitando nos contornos dos cortiços santistas que margeiam o cais do porto.
MN fala que tem casca dura pra enfrentar sucesso ou fracasso. Carrega no coração a aflição das gentes do submundo. Tem santo forte. Seu espírito foi moldado não nos shoppings e praças encantadas. Aprendeu a ser valente pelas lições dos cortiços e vielas deselegantes.
O menino de 18 sabe o que quer.
Seus olhos alegres às vezes parecem tristes. Os olhos de Querô querem nos falar algo. Fervem de vontade.
A epopéia dos flashes aponta no final do túnel. A redenção de La Dolce Vita suburbana e corticeira de Maxweell Nascimento 18 parece estar por uma migalha de dias.
MN virou o jogo.
Santos SP_ 18.08.2007

Thursday, July 19, 2007


São Paulo, 18/07/07
Tragédia.

Tuesday, June 19, 2007


I
A Fortaleza do Tráfico.
Traçantes passam sobre a cabeça. No vale-tudo de rajadas sem alvo definido, um tiro derruba o policial a dois metros de mim. A tropa está em adrenalina. Ao mesmo tempo que socorre o baleado, dispara a artilharia de guerra contra o alvo que pode estar em toda parte (e ao mesmo tempo parece não estar em lugar nenhum). Tiros. Ensurdecedor... É apenas mais um dia violento no morro da Grota. Ali mesmo, onde foi cruelmente abatido Tim Lopes.
Complexo do Alemão RJ 13.06.2007

II

Morro do Alemão, Grota, Nova Brasília, Alvorada, Morro da Baiana, Morro do Mineiro, Morro da Esperança, Vila Cruzeiro, Morro das Palmeiras e Morro do Adeus.
Enquanto um aluno da famosa Copacabana cursa escola 10 anos em média, o percentual dessa fatia suburbana do Rio Esquecido aponta cruéis 4,2 anos.

Nesse maçico de favelas, o indigesto IDH 0,587; significa dizer números similares a níveis dos piores países nos grotões da África.
Nessa Efervencência de Necessidades que responde por Complexo do Alemão vivem 150 mil habitantes. A maior concentração de favelas da América Latina. No centro nervoso desses confins, na favela da Grota, muitos tiros.
A vida está por um fio...
Grota_ RJ. 13.06.07

Os discos não vendem mais como num passado não tão distante. As composições não fluem. A polêmica da retirada de sua biografia foi um ponto negativo.
Depois de 15 anos, Roberto Carlos volta ao Canecão. Vizinho e morador da Urca, ele está em casa.
As boas românticas do passado garantem um show certo. RC passeia com precisão pelos arranjos baseados em piano e cordas.
Namorados chiques se derretem de amor.
A nostalgia de sempre. Sucesso de sempre.
Canecão_RJ, 12.06.07












Belas notas da música brasileira.
Introspectivo em sua música, o sujeito dos solfejos brilhantes que jazzeia a clarineta mágica é um craque.

Paulo Moura é presença certa no rol das celebridades da música instrumental nacional.
Falamos sobre seu parceiro Pixinguinha. Atuavam nos bailes de subúrbio e nas melhores gafieiras da Belle Époque do Rio antigo. Pixinguinha inaugurou nuances para tocar choro e é figura chave para se chegar à essência na harmonização da nova música brasileira que à época surgia. Ele tem saudades.
Conviveu com mestres como Ary Barroso, Radamés Gnattali, Noel Rosa. Depois Tom, Elis, Milton, participando como arranjador.
O calmo senhor de cabelos ouriçados brancos fraseia a clarineta brincando com a música baixinha de fundo. O salão está vazio. É o tempo do retrato.
Centro do Rio RJ_ 17.06.07

Friday, March 30, 2007


Com um saneamento macabro (11% de esgoto tratado), Itanhaém desafia a longevidade sadia das belas veias fluviais de sua Mini Floresta - que esconde a segunda maior Bacia Hidrográfica do Estado de São Paulo.
Fato que deveria ser tratado como questão de Estado, Nação.
Mas nos dias comuns de Itanhaém o que se vê é a especulação imobiliária cada vez mais espremendo a flora e fauna, e o esgoto destruindo qualquer presságio de dias melhores para esse espetáculo indigesto que se convencionou chamar de "Amazônia Paulista".
A natureza chora.
Itanhaém SP_ 08.03.2007

Saturday, January 13, 2007





I
Santuário Ecológico.
Na vastidão verde, muitas espécies podem transitar numa mesma cena. É lugar onde se vê mais bicho do que gente; está tudo ali, basta saber aprender com os homens pantaneiros segredos e hábitos de cada animal. Enquanto alguns se refugiam na solidão da selva, outros podem estar a poucos metros sem estranhar a presença do Bicho Homem. No Pantanal, cada segundo pode reservar uma surpresa!


II
Complexo de conexões aquáticas difusas, o bioma do Pantanal reveza épocas de seca e chuvas. Quando inundado, é comum a cena das comitivas de gado. A boiada é conduzida para as cordilheiras (terras mais altas onde a criação segue livre das enchentes).

III
Licor de pequi, pacu assado, furundú. No dedilhar da viola de cocho, o simplório e resistente homem pantaneiro expressa a continuidade de sua cultura. Gente que coexiste lado a lado com as intempestivas forças da natureza. Afeito às planícies alagadas típicas da estação das águas, o bravo homem transpõe a condição insólita com tranqüilidade de mestre. A boa montaria é dote imprescindível na rotina do lugar.
Pantanal do Mato Grosso, 08.01.07

I
O céu candente emenda num horizonte cuja pintura à mão dos Deuses detona uma aquarela de fogo. Pinta a boca da noite destilando tons incandescentes no que antes era predominantemente verde. É apenas mais um espetáculo anônimo na deserta via que desemboca nos canoins do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães.

II
O turismo empresta eloqüência ao pacato lugar.
A essência do local parece estar no compasso brando e sem pressa de seus homens. A vida vai seguindo seu curso divino à resignação dos homens.
Parque Nacional da Chapada dos Guimarães (MT)_ 09.01.2007

Wednesday, December 20, 2006


I

Quintal do Inferno.
No silêncio da madrugada, o fogo devora sem piedade.
Chamas liquidam esperanças de Natal. Sobre os rescaldos da tragédia, crianças atônitas, jovens em desesperança, senhores resignados à força do fogo.


II


Dor.
No chão destruído pelas labaredas, o que se sente é cheiro de cinza. Muita tristeza.
Aquilo que fora
um amontoado de barracos de madeira, agora é um pântano preto, um vazio aterrorizador. Na aflição da desesperança, resta apenas a difícil missão de refazer a vida.
Favela da Alemoa, Santos SP_ 20.12.2006

Monday, October 02, 2006


Matis: a Saga dos Brasileiros Caras-de-onça da Floresta Amazônica.
Cruzando o chão rico da imensa confluência de matagais e rios, seguem os guerreiros matsés. Na sina da vida natural plena, em total consonância com as leis do mato, vão-se os dias dessa linda gente selvagem, homens reclusos na imensidão da mata fechada.
Amazônia_ 19.08.2006

À seu abundante tempo, a indiazinha kayapó vai dando forma na inocente obra. Fileiras e caminhos de terra batida, mais tarde serão covardemente lambidos pelas marolas que avançam sobre os bancos de areia que emergem no curso do rio Araguaia nos meses sem chuva.

A natureza para o ser indígena não é neutra, muda, passiva. É parte de sua essência. É corpo.
Comunhão entre o lúdico infantil e o chão da Amazônia.
Amazônia PA_ 24.08.2006

Gente esquecida condenada a um naco de Brasil Esquecido.
Na singela varanda, correm os dias do caboclo "Seo Ademar"; homem de visão já prejudicada e muitas histórias pra contar.
A aflição dos descaminhos pautou a vida deste brasileiro dos rincões do Pará.
Amazônia_ 27.08.2006

Monday, September 18, 2006


I
Quilombo, Casqueiro, Cascalho, Mourão, Onça...
Lançando-se às entranhas do antigo Vale da Morte - município foi considerado o inferno de Dante na década de 80, o pedaço de chão mais poluído do mundo, chegando a despejar no ar quase mil toneladas de poluentes por dia -, nota-se que a natureza persevera desafiando as bravatas do bicho-homen.

II
Entre bancos de lodo e garrafas plásticas de guaraná, numa surreal fusão entre zonas de imundice e recantos límpidos, salta aos olhos a beleza do exército vermelho que fez refúgio nos manguezais surrados da região.
Cubatão SP_ 20.07.2006

Friday, September 15, 2006


I
Frangos dependurados no barbante. Cheiro de churrasco no ar. Serviço de moto-táxi interno. Entregadores de gás e mantimentos diversos. Rede de fast-food. Fulano pintando quadro (assoviando samba). Jogo de dama no papelão. Rádios misturando músicas. Guris na diversão do futebol. Gente que espia visitante. Fiel impressão de um dia de Rocinha.

II
Painel impressionista, mosaico confuso. Alastram-se vielas, becos. Moradias se comprimem, gente se aperta. Estética sinistra de quase 200 mil que se amoldam na aflição da necessidade.

Adorno indigesto nas gigantes montanhas da bela geografia do Rio.
Favela da Rocinha RJ_ 10.09.2006

Tuesday, September 12, 2006


Na noite de Ipanema, a solidão da pequena Leyde.
Contrastando com vitrines reluzentes de luxuosas grifes, a menina moradora de rua Leydeane sente frio com seu moleton rasgado.
RJ_ 08.09.2006

Friday, September 08, 2006


No berço da Bossa...
Sob o sol da sofisticada Ipanema, Juvenal da Viola desfila todo seu despudor.

No bairro de chiques ateliês e simpáticos cafés, a praia revela a pluralidade indigesta do turbilhão de gentes. Passeiam donzelas com discreto finesse e malandros com petulância desavergonhada.
Ipanema (RJ)_ 08.09.2006

Tuesday, September 05, 2006


O Menino Da Silva que pelas bandas do Itapema cursou seu primeiro ano de escola, retorna aos arredores. Na Roda Viva da vida, lá se vão quase meia dúzia de décadas. Desta feita, não afligindo na miséria de retirante nordestino; é o homem Luis Inácio, chefe maior do Estado brasileiro.
Guarujá SP_ 31.08.2006

Wednesday, August 30, 2006


I

Os guris seguirão à pé para buscar água no Rio Araguaia. Santo Araguaia, Pai e Mãe!, como se fala por estas bandas. Da agonia das gentes, essa talvez seja a menor.
O calor intenso da região vai castigando e dando-lhes a feição morena típica do Estado do Pará. E a vida segue assim... Entre matas e vilas, um punhado de necessidades.
Proteção de polícia é milagre. Eles sabem disso, parece não sentirem a falta. Os meninos me contam que é bem comum mortes nas taboquinhas de cachaça durante a noite (no dia anterior teria ocorrido). Por motivos fúteis, brigas de opinião, jogo.

Brasil quase selvagem.
Vila Tancredo PA_ 24.08.2006
II

Bibelô da pobreza.

Gente miúda que aflige nesse pedaço de chão vermelho e miserável do Estado do Pará.Vida marcada aos desígnios da escassez.
Vila Emerência PA_ 23.08.2006

III

No instantâneo, a realidade brasileira dos rincões do Pará. Gente escondida entre vilas e selvas. O velho Januário repousa sua idade avançada defronte ao seu casebre na pobre Vila. Felicidade pra ele? ...é ver os netos saudáveis!

E são muitos. Já perde a conta.
Vila Nova PA_ 24.08.2006

Wednesday, August 16, 2006

O Artesão dos Ossos brinca de Deus. Reinventa a vida.
Em seu laboratório misterioso, Nelson Dreux – referência mundial em taxidermia – cria um mundo de fascínio e encantamento. Com extrema perspicácia (e delicadeza), o homem debruça no laborioso ofício da montagem de esqueletos.
Minuciosa Arte.
Santos SP_ 05.07.2006

Tuesday, July 25, 2006



I

Da cata do ouro, dos escravos fugidos da exploração mineral portuguesa pelas terras do Vale do Ribeira, surgiram diversos quilombos asilados em meio à mata fechada. A comunidade de Ivaporunduva é remanescente desse tempo. Diz-se por lá que os primeiros registros de chegada datam do século XVII. Setenta famílias dividem os 672 hectares que margeiam o rio Ribeira. Baseando a vida simples na agricultura de subsistência, em total comunhão com a preservação ecológica, a comunidade preserva traços de séculos longínquos desafiando os sinais dos novos tempos.

Eldorado SP_ 22.07.2006
II

Prosa de fim de tarde.

Hábil artesão esse Aristides de 79.
Vive na lida da trançagem do cipó-imbé. Produz cestas.
O homem de bigodes quase brancos e tons de azul celeste no olhar quilombola, fala sobre o mito que cerca a comunidade: a passagem do guerrilheiro Lamarca (considerado inimigo principal da Ditadura, o comunista refugiou-se nos anos de chumbo pelas matas de Ivaporunduva). “Ele chegou aqui sim... serviro café e mandioca cozida pro moço...ele se embrenhou lá pros roçado... atirou até na polícia de Eldorado”.
Entre muitos outros causos, divertiu-se contando que já foi atropelado por onça. “Eram duas. Eu tava coiendo machucu. Escutei aquele baruio de onça lascando as oreia . Fuji e elas foram me seguino até a bera do rio. Foram atrás de mim até quase chegar pertinho da vila. Eu só com a foice na mão, sozinho no meio desses matagar de Deus”.

Eldorado SP_ 22.07.2006

III

A luz tênue do fim de tarde aclara a gradação de verdes que estampa a encosta da floresta. Azul intenso no céu. Suor escorre do rosto. A mata se fecha.
Já longe, escuto o sino melancólico da igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. A picada no chão de barro parece não ter fim. Vou procurar as famílias do roçado, sertão adentro, 10 km à pé do povoado central. Gente socada num vale entre montanhas, um Brasil quase africano.

Eldorado, 22.07.2006

Tuesday, July 18, 2006

I

Esqueletos do caos.
Novos tempos sinalizam o Deus-nos-acuda do porvir.

Revelam num cromo queimado a falência desse desenho social que nossa incapacidade tapuia de planejamento produziu.
São Vicente acomoda os esqueletos do Terror. Restos do ontem anunciam tristezas do amanhã.
SV SP_ 14.07.2006

Monday, July 10, 2006




Cravada na divisa entre os Estados de São Paulo e Paraná, a região conhecida como Lagamar resguarda um dos maiores berçários de vida marinha do planeta. É a maior área de Mata Atlântica do país.Distribuindo-se em águas de muitos rios, baias e lagoas, compreende num só lugar vários ecossistemas: mangues, dunas, restingas, Mata Atlântica.
Lagamar SP/PR_ 09.07.2006


Labirintos de água penetram manguezais, vazando densas florestas do Parque Atlântico. Abrem frestas, levam ao coração da Mata. Por estes estreitos caminhos, passeiam pescadores de canoas rudes. Outros nem tanto, já trocaram o remo pelo motor de popa. Mas conservam total e intensa comunhão com as forças da natureza. Sereno, o local exala esplendor, fartura de vida.
Dá impressão de que tudo ali está como nos primeiros dias que por ali aportou Martim Afonso, em 1531.
Lagamar_ 08.07.2006

Tuesday, July 04, 2006



Linhas curvas serpenteiam para desenhar o chão do Mar. Passarela da alma santista.
Santos SP_ 04.07.2006

Friday, June 30, 2006

Nas primeiras luzes da manhã, o ofício do homem que caprichosamente faxina na friagem da orla.
Santos SP_ 30.06.2006

Saturday, June 24, 2006


“Um trocado, aí!”
Brasil da brasília, da flanelagem.
Jovem vigia veículos que perfilam o calçadão da orla vicentina. Como ele, outros mais também pelejam no local. Guardando carros, obtém sustento.
São Vicente_ 24.06.2006

Tuesday, June 20, 2006


O futebol põe o sorriso no rosto dos meninos. Seja nos rincões africanos, belas paisagens européias ou pelas periferias nossas dessas terras de Jesus.
O círculo do futebol domina a cena no mundo. Uma vez mais, guris inspirados por seus ídolos vão pra rua chutar bola.
Catalisando a ilusão de uma vida glamurosa, o bate-bola afasta a tristeza que mora entre o mangue e as palafitas de Santa Cruz dos Navegantes.
Guarujá SP_ 09.06.2006




Saturday, June 03, 2006


Vista do alto, as cidades oferecem outra ordenação de arquiteturas e entendimento estético.
O batalhão de gente que caminha beirando o mar, vê-se como um exército de formigas. O perfilamento de sombrinhas cravadas na areia desenha a orla feito alegoria infantil.
Santos SP_ 10.03.2006

Thursday, June 01, 2006



Um certo alguém na estampa das trilhas dos mosaicos santistas.
Boqueirão, Santos SP_ 15.04.2006

Wednesday, May 31, 2006


Lúdicos folguedos giram para trazer um suspiro de folia à correria convulsiva das avenidas.
Roda frenética da vida.
Vicente de Carvalho SP_ 31.05.2006

Monday, May 29, 2006



Anjos na moldura do inferno real.
Palafitas espetadas sobre solo de lama podre.
Castelo feroz das ilusões perdidas.
Santa Cruz dos Navegantes. Guarujá SP_ 20.04.2006

Sunday, May 28, 2006



Frente e fundos.
Ante os anseios mais alegres dos que desfrutam a praia de outono, a Senhora Fome.
No lixo, ela elege a ceia do domingo.

Santos, 28.05.2006

Friday, May 26, 2006



Arruaça, berreiros, bom humor. Correria, sacolas cheias, bacia de 1 real. Alho de corda, azeite do bom, buxinha.
Corte de precisão cirúrgica fatia e desenha a goiaba.
Feira livre, festival de cores.

Santos, 25.05.2006

Wednesday, May 24, 2006

























Candura oriental, fidelidade canina.
Ingredientes imprescindíveis para a sublime amizade do samurai da sarjeta e o cão de rua.

Valongo, Santos. 24.05.2006
















Dia frio. Cinza.
A natureza do santista encolhe, se recolhe. Mas a vida urge, não pára.
Ponta da Praia, Santos. 24.05.2006




A própria morte desafia o nosso Peito. O clamor por uma Nação nos chama. Brasil, Sociologia urbana de um sem fim de vidas que urgem por educação, oportunidade.
Crime, fel da necessidade.
Máquina de produzir injustiças.

FEBEM, Guarujá, 24.05.2006

Tuesday, May 23, 2006



Uma Festa em preto e branco. As garças tem hábito rasteiro. Margeiam vagabundeando marés. O urubu, já é de olhar de cima. Tem olfato ruim, mas visão excelente. Gosta de flanar ao sabor das correntes quentes em bando.
Pretos e brancos degladiaram-se na arena de lama feito malandros de outrora.
Devo dizer que ninguém chamou polícia, gritou, protestou. Não apareceu sequer algum defensor dos Direitos Aviários. Ninguém avisou o Bispo. Não soou sirene. Nada. Nenhuma viva alma gritou por socorro quando bicos pardos e alvos se engalfinharam na ponta da praia à luz do dia causando maior rebuliço. Foi uma batalha épica.

























Um estuário distribuindo praias que se curvam fazendo desenho com um dominó de prédios.
É totalmente santista.
Hoje - sem os múltiplos tons coloridos de turistas que se esbaldam - é soturna a praia do homem que observa o mar.

Santos SP_ 23.05.2006

Sunday, May 21, 2006




Tristes tempos. Omissões várias, inclusive nossa, sim.
Entre colocar a culpa no Estado e resignar-se frente ao abismo social, o mais produtivo é pensarmos no que temos feito para reduzí-lo.
A responsabilidade bateu em nossas portas.

Perequê, Guarujá, 16.05.2006

Saturday, May 20, 2006


O Brasil não é apenas São Paulo, Rio, Minas... suas cidades modernas; é também isso. Imensamente continental, é também terra de gente que agoniza no chão duro nos sertões e arrabaldes do gigante norte-nordeste. Ali, valem outras regras, está em jogo outros interesses, se deseja outros desejos... Por entre essas gentes que o solo seco e as casas de barro abrigam, aprende-se a "ler" e sentir o verdadeiro Brasil. Imenso, rico, desigual.

Ceará, Sertão de Cratéus, 25.11.2005